Há algumas semanas atrás escrevi um texto que falava sobre o risco do Jânio nesta candidatura, e as suas implicações num futuro na Assembléia Legislativa em função do secretariado do governador. Explico:

Jânio tornou-se deputado porque ocupava a primeira suplência do PDT, assim, ao chamar Felipe Peixoto que estava eleito como deputado efetivo do partido para ser Secretário de Estado, o governador abriu a vaga do PDT na Assembléia, e esta vaga foi ocupada pelo primeiro suplente, no caso Jânio Mendes.

Ocorre que as coisas no PDT estão mudando, há uma disputa interna que está amortecida, mas não esquecida. O grupo do atual Ministro do Trabalho, Carlito Brizola (Brizola Neto), que conta com o seu irmão e vereador do Rio, Leonel Brizola, quer recuperar o protagonismo da legenda, pelo menos no estado do Rio. Este protagonismo está com o grupo do Lupi, do qual a turma do Zé Bonifácio faz parte. Zé é boa pessoa, mas é preciso lembrar que Carlito teve apenas 140 votos em Arraial do Cabo, por exemplo, cidade onde ele, Zé, foi secretário de saúde, e bancou a indicação do ex-prefeito Melman, que passeou com Brizola Neto, flertou com Jânio (1400 votos), mas na verdade fez campanha para Carlos Victor (PSB), irmão do prefeito de Cabo Frio, Marco Mendes.

Pois bem, o governador quer manter o PDT em sua base, ocorre que Felipe Peixoto se desincompatibilizou do secretariado para ser candidato a Prefeito de Niterói contra o governador, que apóia Rodrigo Neves do PT. 

Neste cenário, se perder a eleição em Niterói, Rodrigo teria que voltar para a Assembléia e ser de novo convocado pelo Governador para assumir uma secretaria de estado para assim abrir vaga ao suplente Jânio Mendes. Claro que isto se Jânio também não ganhar a eleição em Cabo Frio.

Acontece que se Felipe Peixoto não ganhar, e tendo disputado contra o governador, ele pode não ser convidado a voltar ao secretariado, então Sérgio Cabral teria que chamar outro deputado estadual do PDT para que a vaga de suplente do Jânio fosse aberta. Ocorre que o governador também cumpriu a sua palavra com Jânio, manteve-o deputado até as convenções do partido, o apoiou dentro do PMDB, e está desobrigado com o mesmo em caso de derrota deste. Até porque, em face das disputas do PDT, pode ser que o governador prefira agora ouvir o grupo do Ministro do Trabalho e indicar alguém ligado a ele, que necessariamente não seria nenhum deputado de mandato. 

Assim sendo, não abrir-se-ia a vaga da suplência. E Jânio estaria fora da Assembléia. Ou seja, Jânio precisa ganhar a eleição em Cabo Frio, caso contrário dependerá novamente de Mirinho Braga.

Claro está que ele pode, e deve, torcer pela vitória de Felipe Peixoto em Niterói, pois, aí sim, seria efetivado como deputado estadual.

Enfim, é um jogo de risco. Vamos ver o que vai acontecer.

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